
Uma pesquisa da McKinsey mostrou que 75% das pessoas afirmam que seus líderes são a parte mais estressante do dia de trabalho. Esse dado deixa claro que o problema não é pontual ou individual, e sim sistêmico.Em muitas organizações, tornar-se líder ainda é a única alternativa de crescimento profissional. Como consequência, pessoas que não desejam ou não têm preparo para liderar acabam ocupando posições de gestão. O impacto disso costuma ser silencioso, mas direto, queda de engajamento, desgaste das equipes e resultados abaixo do potencial.Esse cenário se agrava quando a empresa não define, de forma clara, o que caracteriza um bom líder. Sem critérios objetivos, cada área passa a operar com suas próprias regras, e a cultura deixa de ser prática para se tornar apenas discurso.Outro ponto recorrente é o despreparo. Em grande parte das empresas, os líderes aprendem a liderar depois de assumirem o cargo. Sem formação prévia, tendem a reproduzir os modelos que vivenciaram ao longo da carreira, o que na maioria das vezes, não são os mais eficazes nem os mais saudáveis.Mesmo com investimentos relevantes em desenvolvimento, muitos programas de liderança falham. O motivo é conhecido: conteúdos genéricos, desconectados da realidade do negócio e pouco aplicáveis aos desafios reais do dia a dia.Ao observar esse cenário com mais profundidade, fica evidente que o ponto central está no fato de líderes ruins serem tolerados. E isso revela, de forma inequívoca, um problema cultural. Cultura não é apenas o que se valoriza nos discursos institucionais, mas também aquilo que se permite na prática.No fim, tudo converge para a cultura organizacional. Ambientes marcados por hierarquia excessiva, politicagem, foco permanente na urgência e resultados apenas de curto prazo tendem a perpetuar modelos de liderança ineficazes.Romper esse ciclo exige decisões estruturais que passam por estabelecer critérios claros de promoção, trilhas de crescimento que não obriguem ao profissional ter que gerir pessoas, avaliações de liderança que considerem comportamento e impacto no time, além de intolerância a práticas tóxicas.Organizações que sustentam sua cultura na tolerância a líderes ruins,mantendo pessoas que não deveriam estar ali, se aproximam perigosamente de uma fórmula capaz de comprometer o futuro do negócio.Liderança é acima de tudo responsabilidade estratégica.